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Deputada Julia Lucy busca atendimento de emergência na rede pública de saúde e não consegue

A deputada distrital Julia Lucy (Novo), que não teve êxito ao tentar ser atendida na rede pública hospitalar fala, na Coluna Opinião do Jornal de Brasília, sobre a questão que viveu na pele, aquilo que o brasiliense se acostumou a conviver.
Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Íntegra do texto de Julia Lucy
"Na última segunda-feira (12), sentindo muita dor abdominal e com febre alta, busquei atendimento na rede pública de saúde. Depois de passar por dois hospitais – de Base e HRAN – e com meu quadro de saúde se complicando rapidamente, acabei recorrendo a um hospital particular.

Felizmente para mim, essa era uma opção. Mas para 80% da população, não há alternativa. Para mais de 2 milhões de brasilenses, a rotina de sucateamento de serviços públicos é uma realidade diária. Eu costumo usar esses serviços sempre que possível. Considero que essa é a melhor forma de fiscalizar e regulamentar. Esse é o papel que me cabe como parlamentar. Durante a campanha, eu disse que agiria assim.

E o faço porque acredito que, dessa maneira, sou muito mais capaz de tornar efetivo o trabalho legislativo.

Infelizmente, a classe política estabelece o arcabouço legal e os demais regulamentos que regem nossa rede pública de saúde sem conhecê-la. Assim o fazem também quando tratam da educação, do transporte e dos demais equipamentos públicos.

É uma rotina em uma cidade, em uma unidade da federação, em um país que se acostumou a julgar normal estabelecer uma divisão entre uma elite privilegiada e um povo desfavorecido.

Essa tal divisão é tão usual que alguns interpretam como demagogia se alguém que é parte da tal “elite” julga importante conhecer de perto os serviços e equipamentos que tem por obrigação regulamentar.
Vou continuar fazendo o que prometi que faria. E agora, mais que nunca, quero saber por que a saúde pública do DF funciona de maneira tão precária.

Não fui apenas eu que sofri nos últimos dias. Foi a avó da primeira-dama, foi o rapaz que morreu, possivelmente por meningite, e são as Marias e Joões que, todos os dias enfrentam a doença sem perspectiva de atendimento digno.

Precisamos, juntos, repensar nossa saúde pública.

Julia Lucy, cientista política e deputada distrital (Novo)"