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DF produz 25% dos produtos comercializados na Ceasa

O mito de que o sólido ácido do cerrado é improdutivo foi desconstruído pelos agricultores do DF. Hoje, o território local é composto por 70% de área rural com excelente qualidade de cultivo: cerca de 25% dos produtos comercializados na Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF) são produzidos no DF. Os produtos abastecem os mais de três milhões de habitantes da região.

Segundo dados da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri), atualmente existem cerca de 19 mil propriedades rurais no DF. O setor emprega algo em torno de 30 mil pessoas diretamente – considerados os proprietários, suas famílias e trabalhadores rurais, esse total sobe para cerca de 90 mil pessoas. O Valor Bruto da Produção (VBP) do DF gira em torno de R$ 2,5 bilhões.
Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília
Alguns itens são 100% produzidos nas terras do Distrito Federal (veja percentuais na tabela abaixo), a exemplo da banana marmelo (21 mil quilos), a bertalha (176 quilos), broto de bambu (235 quilos) e broto de feijão (2 mil quilos). Outros chegam à quase totalidade de produção em propriedades do DF (mais de 99%), como o pequi (9 mil quilos), a acelga (232,7 mil quilos), o nabo (25 mil quilos), brotos diversos (52 mil quilos) e a salsa (88 mil quilos).

Com mais de 98% produzidos no DF estão o coentro (78 mil quilos), o espinafre (67 mil quilos), a couve (244,8 mil quilos), o frango caipira (2,7 mil quilos), a sálvia (7,8 mil quilos), o louro (89,8 quilos) e alface lisa/crespa (613 mil quilos). Todos os resultados foram medidos entre janeiro e julho deste ano.

Mensalmente, também chegam à Ceasa 4,6 mil toneladas de tomate, 4,5 mil toneladas de cenoura, 2,9 mil toneladas de repolho, 2,8 mil toneladas de batata doce e 2,4 mil toneladas de chuchu, dentre outros produtos.

Raiz
O agricultor Sérgio Bispo de Souza, 50 anos, é um dos comerciantes que distribuem produção no Ceasa. Ele trabalha como agricultor desde os sete anos. “Meus pais vieram da Bahia para o DF para desenvolver a agricultura na capital federal”, pontua. “Somos 16 irmãos. O único que ainda é agricultor sou eu. É minha raiz.”

Nas propriedades de 12 e 20 hectares em Brazlândia, uma própria e outra arrendada, Sérgio cultiva pimentão, beterraba, tomate, couve-flor, repolho, abóbora Itália, chuchu e hortaliças. São produzidas três mil caixas por mês, cada uma com 20 quilos, em que 80% desses produtos são vendidos na central de abastecimento.

Mas o produtor não está sozinho na empreitada. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) ajuda na elaboração dos projetos agrícolas e dá assistência técnica e análises do solo, tudo de graça, para Sérgio.

Diretor-técnico Operacional da Ceasa-DF, Fernando Cabral explica que a Ceasa é o principal ponto de comercialização do pequeno produtor do DF no atacado. “55% deles são da agricultura familiar. 45% são pequenos e médios produtores”, frisa Fernando. A Ceasa movimenta R$ 880 milhões por ano, informa o diretor.

Outros estados também abastecem o DF. Os principais são Goiás (16,76%, o equivalente a 32,2 milhões de quilos), Bahia (13, 52% – 26 milhões de quilos), Minas Gerais (10,30% – 19,8 milhões de quilos), São Paulo (8.93% – 17,1 milhões de quilos), Paraná (7.63% – 14,6 milhões de quilos) e Santa Catarina (4.62% – 8,8 milhões de quilos).

Estrutura
A Ceasa conta com 280 boxes de venda, dos quais 161 permissionários (pavilhões permanentes). A estrutura inclui 649 “pedras” (espaços para comercialização), sendo 548 produtores, para venda no atacado nas segundas e quintas-feiras, além de 81 cooperados no Mercado Orgânico.

São 66 boxes na Central Flores, dos quais 25 são utilizados por produtores associados no DF e no Entorno. Há também 354 bancas, sendo 198 varejistas, para venda no varejo aos sábados. O horário de funcionamento é de segunda à sexta-feira das 4h30 às 17h. No sábado, das 4h30 às 14h, a central funciona para varejo.

Os dois principais dias de comercialização no atacado são as segundas e quintas-feiras, quando acontece o Mercado Livre do Produtor (MLP).

DF rural
Quase todas as regiões administrativas do DF possuem área rural – inclusive o Plano Piloto, que abriga a Granja do Torto. Mas as maiores estão em Planaltina, Paranoá e Brazlândia, respectivamente.

As duas primeiras se destacam pelas grandes áreas de produção de grãos como soja, milho, sorgo, feijão e trigo. Essa região também possui grandes lavouras de alho irrigado. Já Brazlândia é uma área produtora de hortaliças folhosas, além de pimentão, tomate, morango, goiaba, jiló, quiabo e abobrinha, entre outras.

Também possuem grandes áreas rurais as regiões de Sobradinho, Gama e São Sebastião. E uma região rural tão grande também permite uma produção diversificada, que propicia ainda a pecuária de leite e de corte, a avicultura, a piscicultura e a suinocultura.

Com informações da Agência Brasília.