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Reportagem com mulher de Eduardo, revolta Bolsonaros

A psicóloga Heloísa Wolf, casada com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, disse em uma postagem no Instagram que vai entrar na justiça contra o jornalista que escreveu reportagem sobre ela publicada nesta sexta-feira (13), na revista Época.
Foto: Reprodução/Instagram
Assinado pelo jornalista João Paulo Saconi, o texto da revista Época carrega o título “O coaching on-line de Heloisa Bolsonaro: As lições que podem ajudar Eduardo a ser embaixador” e descreve sessões de orientação pessoal e profissional em curso oferecido por Heloísa. O jornalista narra a experiência de vivenciar cinco sessões de coach com Heloísa Wolf via webcam, de 1h30 cada.

No texto, o jornalista entra em detalhes do que foi conversado em cada sessão. A psicóloga conversa com Saconi a respeito de questões da sua vida, pede que ele faça testes, faz perguntas, propõe exercícios e tarefas.

A peça dedica especial atenção a menções de Heloisa a nomes próximos do universo político. As sessões têm como foco a vida do paciente/jornalista, mas, ocasionalmente, a psicóloga dá exemplos ou menciona algo do seu mundo: fala a respeito do seu casamento com Eduardo; elogia o presidente Jair Bolsonaro e a sogra, Rogéria Bolsonaro, a quem chama de “parceira de vida”; narra uma conversa com o presidente do BNDES a respeito da suposta “caixa-preta” da instituição e, a pedido do jornalista, recomenda canais de mídia identificados com a direita política.

“A escuta de Heloísa foi atenta, e há inúmeros detalhes verdadeiros sobre meu cotidiano que ela demonstrou ser capaz de recuperar conforme as sessões se acumularam”, diz a reportagem. Segundo o texto, a psicóloga mostrou-se “simpática, bem-humorada e disposta a longas conversas” e descreve Eduardo Bolsonaro como 1 case de sucesso: “Faço várias coisas: ‘Ó, agora tu vai fazer isso, depois vai fazer aquilo’. […] para fazer um bom trabalho para o país, o que ele tem de fazer, ele tem de cuidar de si”.

Saconi teria informado Heloisa na última 4ª feira (11.set) que pretendia publicar 1 texto a respeito do processo. Segundo a reportagem, a coach preferiu não comentar nenhum dos tópicos.

Reações
Heloisa Wolf respondeu à reportagem nesta sexta-feira, após a publicação. Pela rede social Instagram, anunciou que o jornalista “responderá na justiça” e disse que pressupunha que o sigilo das sessões seria respeitado: “Nosso contato foi estritamente profissional, o que pressupõe, no mínimo, o sigilo e a boa fé”.

A postagem inclui uma série de capturas de tela com mensagens a respeito da reportagem (Leia, ao final desta reportagem, a transcrição da manifestação de Heloisa Wolf).

O presidente Jair Bolsonaro também respondeu. Postou em sua conta no Twitter 1 comentário crítico sobre a reportagem em questão. Em postagem intitulada “Imprensa sem limites”, o presidente afirma que “sem se identificar, o jornalista João Paulo Saconi, Época/Globo, se passou por gay e fez sessões com minha nora Heloísa e gravou tudo. O deveria ficar apenas entre os dois, por questão de ética, agora vem a público.”

A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência também divulgou nota em que afirma lamentar a reportagem “O coaching on-line de Heloísa Bolsonaro: As lições que podem ajudar Eduardo a ser embaixador”. “Nitidamente, utilizando o trabalho ético prestado pela psicóloga Heloísa Bolsonaro como ferramenta, o repórter tenta distorcer informações apuradas com o único objetivo de atacar a família Bolsonaro. Agir de má-fé e direcionar o resultado de uma situação programada não correspondem ao exercício do jornalismo correto e íntegro da mídia brasileira”, diz o texto em defesa da nora do presidente.

Pela sua conta no Instagram, Eduardo Bolsonaro também se manifestou: “Minha esposa @heloisa.bolsonaro foi enganada por um mau caráter que se diz jornalista da Época/Globo, João Paulo Saconi, e que usou de sua boa fé e do seu profissionalismo para manipulá-la e fabricar matéria com o único intuito de assassinar a reputação de qualquer um que esteja próximo do Presidente. É isso que virou boa parte da nossa imprensa fazendo serviço para a esquerda. #familiaMarinholixo”.

A revista respondeu à manifestação do presidente Jair Bolsonaro em nota oficial publicada em seu site. Eis a íntegra:

“ÉPOCA reafirma o respeito à ética e a retidão dos procedimentos jornalísticos que sempre pautaram as publicações da revista. A reportagem em questão não recorreu a subterfúgios ou mentiras para relatar de maneira objetiva — a bem do interesse do leitor — um serviço oferecido publicamente, com cobrança de taxas divulgadas nas redes sociais.”

Íntegra da Resposta de heloisa Wolf
A manifestação da coach em seu perfil no Instagram inclui texto tanto no campo designado como legenda das imagens publicadas na rede social como nas imagens em si –Heloisa publicou, no formato de álbum, considerações a respeito da reportagem em uma série de capturas de tela. O Poder360 fez a transcrição na íntegra (as mensagens estão como foram publicadas, sem eventuais correções gramaticais).

Legenda
“João Paulo Michael Saconi, 23 anos, natural de Itú – SP, contratou um serviço de “coaching de autoconhecimento”, que totaliza 5 sessões de 1h30 cada. Não conversei com João na fila do supermercado nem em um barzinho. Nosso contato foi estritamente profissional, o que pressupõe, no mínimo, o sigilo e a boa fé.

Jornalista, nunca se apresentou desta forma, gravou de forma ilegal as sessões e publicou uma matéria sem autorização. Sempre o tratei com respeito, como faço com todos.

Eu nunca o questionei sobre suas preferências políticas, sexualidade ou religião. Nunca faço isso com nenhum cliente. Entretanto, João logo se apresentou como apoiador do Bolsonaro, homossexual e que, embora já tenha sido mais próximo do espiritismo, hoje possui muitos amigos ateus e se vê afastado da espiritualidade, pois, segundo ele “perdeu um pouco a fé em Deus e na humanidade”. Nunca interferi em suas posições políticas, mesmo quando ele falou de “amigos de esquerda”. Inclusive mencionei que hoje percebo uma falta de valores na sociedade, o que gera uma dificuldade de conviver e respeitar o próximo e o diferente.

Mal intencionado desde o início, com certeza ele queria provocar respostas polêmicas da minha parte ou mesmo anti-éticas, o que não obteve. Se queixava dizendo que sofria muito com as “fake news” e o excesso de (des)informação e me perguntou se eu poderia indicar algumas mídias para ele seguir no instagram, que fossem da minha confiança e assim o fiz. Aliás, não é e nem seria surpresa nenhuma para nenhum cliente que me contrata, saber das minhas posições políticas ou de qual família faço parte, né?

Ademais, ele não contratou um robô. Sou uma pessoa verdadeiramente empática. Por vezes cito exemplos meus mesmo, da vida privada, para colaborar no processo de rapport e vínculo com o cliente. Agradeço o apoio de todos. Estou tranquila e seguirei agindo da mesma forma, pois essa sou eu. Ajudo as pessoas, me engajo de verdade na busca do desenvolvimento pessoal. Sigo confiando e esperando o melhor do próximo, pois é assim que me comporto. A paz e a serenidade que habitam em mim são inegociáveis.

“Quarta-feira peguei meu celular e haviam várias chamadas perdidas de um “ex-cliente”. Logo que vi, retornei, preocupada. “Será que está tudo bem?” pensei.

“Então, estou te ligando para te comunicar que eu registrei todas as nossas 5 sessões e eu vou publicar na revista Época. Você quer falar alguma coisa?

Juro que eu nem entendi na hora, até respondi, confusa: “Oi?” e perguntei “Mas você acha ético isso?”

O ex-cliente nunca se identificou como jornalista e muito menos que publicaria uma matéria, atitude esta que teve sem minha autorização.

Cheguei a questioná-lo na ligação, pois não estava acreditando: “você já tinha intenção de fazer isso, ao me contratar?” e ele “sim”.

Me senti completamente violada. Em nenhum momento o mesmo informou que estaria gravando. Inclusive, o jornalista quando questionado sobre seu nome completo, ocultou seu último sobrenome, o mesmo que ele assina suas matérias.”

Texto extraído do site 360 com algumas adaptações para o Blog do Claudio Campos.